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“Soninha, a dispersiva”, por Luiz Maklouf Carvalho

 

Revista Piauí, número 22, julho de 2008

 

Para ler a reportagem clique aqui  

  

 

Soninha Francine é uma das candidatas à prefeitura de São Paulo, a maior cidade brasileira, nestas eleições. A reportagem de Luiz Maklouf tenta, começando pelo título (“Soninha, a dispersiva”), desvincular a imagem da entrevistada das características mais visíveis e comuns entre a maioria dos políticos. Todo o perfil da candidata é traçado com o intuito de mostrar as semelhanças entre ela e o público e eleitorado jovem.

 

Um dos principais fatores que permite com que esse perfil seja mais bem delineado deve-se ao trânsito de Soninha por várias áreas de interesse. Se tivesse que escolher uma “tribo”, provavelmente a candidata ficaria em dúvida: é mãe, cineasta, política, defensora do meio ambiente, budista, apresentadora de programas televisivos na ESPN Brasil, colunista em jornais como Folha de S. Paulo e da revista Vida Simples, socialista e apaixonada por futebol.

 

 

Juventude aos 40

 

A imagem sisuda e exalando maturidade comumente relacionada à classe política não combina nem um pouco com a vereadora paulistana. Luiz Maklouf utiliza isso como se fosse uma linha que conduz toda a reportagem. Desde a roupa de Soninha – “tênis, jeans, camisa preta, colar vermelho, malha vinho, casaco preto e um cachecol que combina com tudo” – até os reincidentes palavrões que dançam em cada frase que sai da boca da candidata são utilizados como argumento pelo repórter para que a figura da entrevistada seja, de forma mais sólida, relacionada ao público juvenil.

 

Já no início da matéria, Maklouf procura, ao mesmo tempo, salientar a responsabilidade de mãe, a religiosidade e a juventude de quatro décadas de Soninha. As escolhas da entrevistada são fatores essenciais que embasam o perfil. A simples escolha de usar uma moto ou uma bicicleta a um carro faz com  que a proximidade entre a candidata e os jovens seja mais enfatizada e concretizada.

 

Outro aspecto utilizado para traçar o perfil de Soninha é sua instabilidade psicológica. As incertezas, questionamentos e crises depressivas que marcam a vida da entrevistada pode ser visto como mais um fator que separa a imagem da candidata do conjunto de características comuns aos políticos atribuídas pelo senso comum e, ao mesmo tempo, aproxima a vereadora do eleitorado jovem, o qual é bastante relacionado às incertezas e dúvidas “típicas” dessa fase da vida humana.

 

 

De boas intenções as redações estão cheias

 

Uma das questões mais contraditórias da reportagem diz respeito à forma com que o suposto romance de Soninha Francine com o governador paulista José Serra é abordado pelo repórter. A entrevistada, desde que começou a ser inquirida sobre isso negou veementemente as suposições levantadas.

 

Em seu relato, Luiz Maklouf parece, pelo menos inicialmente, tentar colocar-se ao lado de Soninha e disponibiliza um espaço considerável da reportagem para colocar o leitor “a par” da verdadeira história que envolve Serra e a entrevistada. Essa busca por explicitar os detalhes do relacionamento entre os dois tem um efeito contrário para quem lê. Aparentemente, dá a impressão de que é uma afirmação dos boatos que circulam nos bastidores da política paulista, de que o governador e a candidata têm um affair.

 

Essa ênfase serve apenas para colocar em xeque as opiniões e esclarecimentos de Soninha sobre o caso.  Apesar de mesclar as falas da entrevistada em todo o relato, a reportagem de Maklouf deixa em aberto nas entrelinhas a veracidade do fato. Se tentou buscar a inatingível objetividade ao utilizar, durante a descrição, as respostas da candidata como se fossem comentários sobre o assunto, falhou! O que parece é que até os jornalistas adoram uma historinha romântica e se tiver polêmica melhor.

 

Por Ana Carolina Athanásio

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